A sequência da vida com passos diferentes

A sala 10 é onde a equipe da Labotec, médica e fisioterapeutas de atendimento aos amputados realizam a prova das próteses e órteses. Toda semana homens, mulheres, crianças e idosos recebem novos equipamentos e assim, conseguem voltar a caminhar ou a melhorar suas funções perdidas de membros superiores ou inferiores. Dois casos que passaram por ali foram o Sr. Pedro Francisco de Vargas e o Sr. Valmir Manoel da Silva.

O Sr. Pedro, de 58 anos, trabalhava como jardineiro autônomo, certo dia sentiu um formigamento nos pés, quando foi ao médico lhe deram a notícia de que tinha trombose e teria que amputar dois dedos. Não ficou tão apavorado, “eu disse – tá amputando dois dedinhos tá bom, que daí… até que dá pra caminhar”. Não demorou muito para que o formigamento voltasse, mas na outra perna. Dessa vez as consequências foram um pouco mais graves, tiveram que amputar parte da sua perna direita.

Parou de trabalhar e foi morar com a filha, Josiane, quem até hoje cuida dele. O morador de Nova Santa Rita foi até a prefeitura da cidade, onde indicaram para ele a ACADEF. Há dois anos como beneficiário da instituição, ele já passou pela fisiatria, nutrição, psicologia e pela fisioterapia; já conseguiu, graças ao convenio do SUS com a ACADEF, cadeira de rodas, andador, e agora a última conquista foi a prótese feita sob medida para ele pelos profissionais da Labotec.

O fisioterapeuta Acelino Toja, 39 anos, quem atende ao Sr. Pedro, conta que o paciente se superou de maneira surpreendente, pois ao colocar a prótese, logo conseguiu andar sem ajuda de ninguém, mesmo com o medo de levantar e cair. Ele tem medo de andar por causa de um desgaste no joelho esquerdo, o que já o fez cair, mas a sensação de poder caminhar novamente, mesmo com auxílio do andador, é sem comparação.

O ex motoboy, Sr. Valmir Manoel, de 52 anos, sofreu um acidente de trânsito enquanto trabalhava. Ele ficou uma semana na UTI fazendo transfusão de sangue, para que pudesse realizar a cirurgia para amputar a perna esquerda. Tinha uma vida ativa e conta que tudo isso foi um recomeço, “é do zero de novo”.

Os próprios cirurgiões que fizeram todo o procedimento foram quem recomendaram a ACADEF para ele. Teve de esperar cerca de cinco meses até conseguir uma vaga na instituição. Aqui ele passou pela psicologia, nutrição, fisiatra e fisioterapia.

Se locomovia apenas com cadeira de rodas, mas alguns meses depois de entrar na ACADEF, passou para a muleta. O dia 11 de janeiro foi especial para Valmir, pois foi o dia que ele recebeu sua primeira prótese. Ele estava muito contente, pois conseguiu se adaptar muito bem e o equipamento veio personalizado do jeitinho que ele queria, com uma estampa do grêmio, seu time do coração. E o motivo dessa escolha ele explica assim “Por mais que o dia amanheça nublado, sempre tem uma brechinha do céu que é azul”.

E de dias nublados ele entende, passou por muitos, mas ainda assim consegue colocar cor em sua vida. Com tantas dificuldades, comemora cada pequena conquista. Apesar de suas limitações, Valmir não gosta de esperar que os outros façam tudo por ele, sempre foi o tipo de pessoa que corre atrás do que quer e agora não seria diferente, “não adianta tu entrar pra dentro de casa e não sair mais, achar que o mundo lá fora acabou pra ti, não é. Tu encara, levanta a cabeça e encara”.

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